22/09/2012

Pela noite, choveu

 
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A chuva prometia não despegar da noite, e a única alternativa era esperar que o dia despertasse. Aqueles caminhos, à noite, só eram reconhecíveis pelo tacto. E ainda assim, era preciso já os ter percorrido uma meia dúzia de vezes, pelo menos. Havia lenha na cabana. Menos mal, assim sempre nos aquecíamos. Ainda bem que não consegui largar este maldito vício, ironizou referindo-se ao isqueiro que usou para acender o lume. Engano. Só a visão daquele corpo, na penumbra, completamente colado à roupa molhad, acendia um fogo inteiro. E os olhos que irradiavam faíscas contra a transparência do meu vestido colado à pele, ateou fogachos… à solta, nas mãos, nas bocas, nos corpos, que se fundiram num só. Pela noite dentro, até que o dia despertou… e parou de chover.  
 
 

02/07/2012

Num suspiro de pássaros


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Num suspiro de pássaros
caminhámos pela eternidade…
nos momentos em que, perdidas,
as tuas mãos se encontraram
no meu corpo.
Ardentes, sedentas de mim,
e o meu corpo desnudo para ti…
procurando a entrega
que na espera sempre se faz urgente.
Tão docemente…!
O beijo que sela a promessa
de uma partilha terrena… celestial.
São o cheiro e o sabor de uma paixão,
Sem razão…!
Amarrada, apenas com os laços
que as peles criaram…
e as almas, e os espíritos, e os corações…
Licor de amoras silvestres
que embriaga os sentidos,
perdidos no limbo das emoções.
Até ao ponto fulcral,
consumação de amor celestial…!


17/05/2012

Assim...


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… aconchegar-me na ternura do teu olhar e assim deixar cair os minutos do tempo entre palavras, sorrisos e pensamentos. As peles, lado a lado, sem se tocarem ainda por momentos e as mãos que na extensão das palavras se entrelaçam docemente deslizando dos braços até aos dedos.
 Atrás das mãos, as bocas desfazem-se em beijos urgentes, despertam o nosso instinto de amantes e percorrem trilhos que vão do desejo ao prazer, soltando gemidos que emanam sabores e cheiros de paixão. O meu e o teu cheiros, o meu e o teu sabores, que se fundem num só, impregnado de desejo. As mãos e as bocas que exploram os corpos, desenfreadas, como se procurassem o caminho para ilha do tesouro.
Tu sabes meu amor, como me fazer render a ti…!
E a cada toque, a cada beijo, tu penetras mais e mais em mim , abraças-me como se fossemos voar, unindo os corpos num insano canto de luxúria….
… pela noite dentro, ficamos assim!



20/04/2012

Esse teu jeito de chegar

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Aproximas-te devagar…
- sempre adorei esse teu jeito de chegar –
abraças-me, respiras a minha pele…
inebrias-me com o teu aroma sensual,
despertas com beijos o meu corpo de mulher.
Quase desnuda, esperava-te assim…
na penumbra da noite, coberta com o lençol,
em confidências com as estrelas,
que só elas sabem dos (i)limites da nossa paixão.

Percorro-te o corpo com as minhas mãos…
e as tuas, numa fusão de sabores, fazem-se língua
deslizando em direcção à corrente de águas mornas,
que de mim escorrem, sem ainda te saciares...
Soam gemidos de pássaros, livres, 
que esvoaçam pelo universo das nossas sensações.
Selvagens… em movimentos ascendentes aos céus,
são eles a simbologia do nosso querer,
simbiose perfeita de corpos e almas… estar e ser!

Penetras em mim… a madrugada
que, em gotas de orvalho desfeita, te dou a beber,
qual mel dos deuses em flamas.
E, na ansia dos nossos corpos em chamas, desfalecemos,
para logo voltarmos a reacender!
Que o fogo em nós não se apaga…
somos sempre únicos em cada madrugada.
Percorremos os universos do prazer,
e permanecemos…

                                   … um no outro…!

11/04/2012

Despedida de Um Verão


Plataforma flutuante… ou pedaço de chão…
não sei, não importa…! Era o universo mágico
que ambos construímos para o amor.
Nosso, tão nosso… partilhado, apenas,
com as andorinhas que naquele tempo já partiam
para destinos mais a sul. Tal como nós!
Não, nós não íamos para destinos a sul,
mas também partíamos!... Partíamos de um verão
que nos tinha ensinado a amar…!

Nos teus olhos o desejo. E nos meus… ah, nos meus,
as águas do verde lago que eram os teus.
Águas onde, nua, mergulhava sem pudor,
e as tuas mãos me tocavam, numa sinfonia de tons,
nota por nota, as melodias da minha pele,
que assim compúnhamos canções de amor.
Ou numa dança de sentidos, penetravas dentro de mim,
até ao mais ínfimo do meu ser. Momentos…
em que, devotamente, me fazias mulher!

E eu, desnuda de corpo, mas principalmente de alma,
entregava-me inteira ao teu prazer, ou meu…
na verdade era prazer dos dois. Porque sim,
porque assim o consentimos em dádivas e entregas mútuas.
Até que o fim de tarde dava lugar à noite
e com ela os raios pendentes da lua cheia,
com que amarrávamos o nosso sentir, finos raios de luar.
Porque o verão partia, à procura de outro amor,
mas o nosso continuaria, livre, pelas quatro estações!


31/03/2012

Absolutamente


Os teus beijos, suspiros de gaivotas
que poisavam na minha boca…
e no meu corpo de águas mansas
das ondas que rebentavam
aos nossos pés… e as mãos de desejo,
as tuas, tocavam-me os cinco sentidos
como quem toca o seu objecto de culto!
A minha alma era o teu culto, que,
de comum acordo, já há muito te entregara.
Deixávamos avançar a noite, sem pressa,
porque era sob o seu manto de estrelas
que a entrega se fazia mais intima…
e nós queríamos a intimidade plena.
Dos corpos, dos espíritos e das almas!
Queríamos a intimidade que nos colocava
absolutamente um dentro do outro, inteiros,
de plenitude na partilha de cheiros e sabores.
Enquanto o odor da nossa paixão enchia a noite,
e pela madrugada dentro, imitávamos as ondas
do mar chão que nos temperava de sal, a pele…
num vai vem que nos levava até ao céu,
onde tocávamos a lua que rebentava em cascatas
de diamantes para dentro de mim…!

Até que a alvorada nos trazia de novo para a terra,
de onde havíamos partido ao anoitecer…


19/03/2012

Fala-me de Amor...!


Diz-me… fala-me de qualquer coisa
que me aquiete o coração…
e o espírito… e as mãos..
Diz-me qualquer coisa, fala-me de amor!
Fala-me com as tuas mãos,
daquele amor tranquilo gravado
na minha pele… e na alma… e…
na serenidade de cada momento a dois.
Diz-me que também me amas assim…
tranquilamente na ausência,
ou na penumbra de um olhar difuso
sobre o meu corpo, ou sobre os meu ventre
em ansias para te acolher, venerando-te.
… e amar-te… e amar-te… e amar-te…
Na quietude de um momento solene!

03/11/2011

Incondicionalismos de uma Intemporalidade


Pairava sempre no ar
a mesma frase, sentimento,
uma coisa que vinha de dentro,
“Não o podemos mostrar,
não terá entendimento!”
Mas entendimento para quê?
Quem quer entender o sentimento?
Mesmo num corpo ausente
ainda há a alma…
… e a alma sente, oh se sente!
Sente com tal intensidade
que se esquece do corpo ausente


A alma não morre, a alma vive
e renasce a cada instante.
(instantes de amor)
Mas também morre nos momentos
de dor!
Na dor da incompreensão,
ou talvez seja razão!
Razão… quem quer ouvir a razão
quando a irracionalidade é tão mais
tentadora?
Não há limites para nos perdermos
numa embriaguez avassaladora.
Não faz falta o corpo
se são os espíritos que se abraçam
em passeios que vão até às estrelas,
e voltam…


Voltam para o mundo triste e obscuro
onde os corpos não têm alma.
Não sentem, não vivem,
alimentam-se apenas de convenções.
Sem conhecimento, sem discernimento,
julgam, condenam…
Não sabem nem querem saber
que há muito mais que aquilo
que conseguem ver.
Estão presos num mundo pequeno
de janelas fechadas para o amanhecer.


Não sei do tempo,
não sei de que vida falo.
Só sei deste estado de alma
em que me encontro.
Que transcende
a minha própria existência.
Ausente do mundo
dos comuns mortais
caminho pela galáxia
que me leva para o teu mundo…
Nosso mundo de sonho,
de fantasias tão reais!
Onde tu me acolhes tão ternamente,
e me amas…
Em noites de lua cheia me amarras
com finos raios de luar.
Dás-me estrelas a comer,
e comes também.
Dizes-me que por cada uma
um desejo…


Como são belas as noites
que em sonhos dourados
revivo as palavras
que durante o dia me dedicas,
em declarações de amor
ditadas ao sabor do momento.
Não tarda nada
todas as tuas noites serão minhas,
e então comporemos sintonias
de amor total.
Tu far-me-ás serenatas ao luar,
e eu entregar-me-ei inteira
ao delírio dos teus dedos.
Queimarão os corpos
no fogo lento da paixão.
Urgentes, as bocas
serão desfeitas em beijos
e promessas de amor eterno.
Unimo-nos assim de alma
e corpo ausente.


Resplandecentes madrugadas
que nos teus braços me levam
aos jardins dos dias em flor.
Há borboletas, andorinhas,
sonhos de mil cores.
Não sei se é inverno, se é verão,
é primavera no meu coração.
Canto… canto melodias de felicidade!
Quero… quero ver o mundo em festa!
Sentir que tudo o que me rodeia
rejubila e compõe hinos ao amor!


E tu, tu partilhas comigo os sonhos.
Dás-me a mão e levas-me
pelas dunas do deserto que conheces
e adoras. Tornas a magia real.
Presenteias-me com idílios
das mil e uma noites e acreditas,
tanto como eu, que o sonho é lícito.
E assim é, num espaço e num tempo
só nosso, o sonho é lícito!
Puro e sem as maculas dos homens
que transportam corpos desalmados
pela cegueira dos corações.
Oh, corações cegos que não amam,
nem deixam amar…
Porque destroem tão levianamente
o sonho?


Há sombras negras a arrastarem-se
no meio das almas que vivem.
Querem apagar o encanto,
como se só assim tolerassem
a sua própria escuridão.
Não aguentam as almas iluminadas
porque elas, as almas que iluminam
põem a descoberto a miséria
oculta nas sombras,
que se arrastam por entre as almas ,
que, em estado de graça, vivem!

Quantas vezes, uma e outra vez,
me pergunto porquê?
Porque me condenam
- nos condenam – por amar?
Sim, porque o nosso pecado
é amar. Amar a vida,
amar o simples acto de amar!
Amar sem limites, sem amarras,
para lá das convenções
que designam o que é o amor.
Há amores proibidos,
sei que há. Mas não,
não entendo o porquê! Não
é o amor um sentimento livre,
com vontade própria,
que não cede ás repressões,
da sua própria existência?
Porquê submetê-lo a convenções?

Num amor livre, voamos
pelo universo dos sonhos reais.
Amor que não é como os demais,
nem nunca será…
Porque a liberdade é perfeita,
a liberdade desta paixão
ardente. Comovente, até!
Em que tu me envolves
sem falsos pudores, sem hipocrisia.
Só a magia… do nosso sonho
tão real!

Tu, só tu o sabes
o segredo que me aquieta a alma.
Como ninguém, tu sabes
quais são as minhas ansiedades.
Sabes que sinto
que tudo o que te dou é pouco,
embora digas que não.
Há dentro de mim um desejo…
Oferecer-te o universo
à escala do infinito.
Desejo sobrenatural, com certeza!
Mas que mais se pode oferecer
a um sentimento, assim,
com tanta beleza!


Nefertiti
Fotos: http://www.photodom.com/

20/08/2011

Vem...!


Hoje acordei, e
No meu mundo havia um deserto
Um deserto de ti
Queria dizer-te, vem…
Quero que venhas, que me tenhas
Que no meu corpo te devasses
Passeia-te pelos trilhos de areia fina
Marcada dos meus pés
Descalços com o ensejo de te guiar
Até ao oásis desta necessidade
Implantada na minha pele
Do teu cheiro, do teu sabor
Do teu toque, que
Entre as dunas
Descobre riachos
Para que te inundes de mim
… e eu de ti
Em beijos urgentes
Nas bocas sedentas daquele mel
Tão doce…
Vem, meu amor!

Nefertiti

24/07/2011

Amo-te!



No balancé da lua cheia
Voamos, tu e eu
Suspensos do céu
Amarrados pelos raios do luar
Subimos as montanhas
E descemos vales de oiro
Feitos para amar

Doce viagem
Esta, do teu desejo em mim
Absolutamente sem pudor
Desnudando almas
Entregues ao momento
Que outra coisa diria
Tanto deste sentimento?

Nunca ou sempre
É a eternidade
Que está em cada momento
Do caminho que percorremos
Numa floresta
De sonhos plantada
E onde digo: Amo-te!



Nefertiti

28/05/2011

Tempo de Um Amor Intemporal


É uma tarde de Maio
Maio de flores
… e amores,
Amores de primavera
Que dizem nascem efémeros
Mas o nosso não o é
- também não sei se
nasceu na primavera –
Não, não nasceu num tempo
De flores…
Pelo menos de flores convencionais
Era um tempo intemporal
De serenos luares e
Chuvas de prata
Que transbordam em rios
De diamantes e paixão,
Paixão de amantes incondicionais!

Nefertiti

01/05/2011

Um Final de Tarde


Final de tarde
Na sala a marca da tua ausência
Na lareira crepita o fogo ritmado
Com os batimentos do meu coração
Coração que clama por ti
Sinto-me melancólica…
Ou nostálgica, não sei…
Só sei deste vazio imenso
Que sinto como se me faltasse
Uma parte de mim
E lá fora a chuva cai…

Encosto o rosto no vidro da janela
As gotas da chuva deslizam
Lágrimas do meu pranto em silêncio
Nada mais existe, só o vazio
E o meu pensamento que,
Sem eu dar por ele,
Resvala para um momento longe daqui
Um momento intemporal…

Profunda troca de olhares
Soltam-se estrelas no ar
Um bailado de desejo e paixão
Mãos que despertam os sentidos
Dos corpos nus em sintonia
Caminhantes num trilho de magia
Até ao mais ínfimo de nós
Misturam-se cheiros e sabores
Em ritmo de dádiva total
Unem-se as almas em plena devoção
E assim construímos a eternidade
Na extensão dos corpos fundidos num só



Nefertiti

23/11/2010

Sente-me meu amor...!



De mãos nuas
Tento tocar-te a alma…
Sentes-me?
Sentes toda a intensidade
Deste meu querer?
A minha alma desnuda-se
Para ti… apenas para ti
Como nunca se desnudou
Para mais ninguém…
Só o teu corpo desperta,
De desejos, o meu espírito
Adormecido há uma eternidade
E me transporta para outro caminho
De sentidos sem tempo
E descobertas plenas …
Sente-me meu amor…!

Nefertiti

18/11/2010

Chove... pela madrugada.

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Esquecidos do tempo
- ou reinventando-o, apenas -
Alongam-se os corpos
Pela madrugada
Ao ritmo da chuva na vidraça
Quentes, ardentes
Numa dança de mãos e sentidos
De desejo incólume
E olhares possuídos
Rendidos ao sabor da paixão
Bocas em uníssono
Entoam melodias de paz
Na celebração de um amor
Pela eternidade
Que já começou…

Nefertiti

10/11/2010

Rasto de uma noite



Raios de sol entram pela janela
Tímidos… envergonhados
Com o perfume de luxúria
Que se respira no quarto
Rasto de uma noite vivida
Na mais profunda comunhão
De cheiros e sabores
Ainda presentes nos corpos nus
Entrelaçados como se fossem um só…

De olhos ainda fechados
Sinto os teus lábios tocarem os meus
Toque de seda que me envolve de novo
Naquele misto de êxtase e paixão
Continuas dentro de mim
Tal como quando adormecemos
Absoluta fusão de corpos e almas

De novo nos embalamos
Na mesma dança de eros
Que nos leva ao mais infinito dos prazeres
Rodopiamos por terra e mar
E elevamos os espíritos ao céu
Ouve-se de novo o cântico das aves
Na cascata de prata que me inunda
De ti…!



Nefertiti